(Des)vantagens no comércio electrónico

Apesar da avalanche de bons números do desempenho do comercio eletrônico no Brasil, existem enormes dificuldades na sua operação. Boa parte delas manteve até agora as maiores redes de varejo do país longe desse canal.

Pesquisa recente realizada do instituto de pesquisas Forrester sobre o varejo online, nos Estados Unidos, traz dados interessantes. Naquele mercado, notadamente mais maduro que o brasileiro, a participação da venda online não passa de 7%.

O abandono de carrinho (desistência de compras) fica entre 47 e 53% do total (imagine comparar isso com os produtos abandonados nos checkout´s das lojas físicas). Da mesma forma, a conversão em venda é de apenas 3,1%. Ou seja, só o fluxo de consumidores no seu site não vai garantir retorno em vendas. Isso é um grande problema, pois são necessários em média 12% de investimento em marketing online para atrair esse fluxo.

Outras questões cruciais desse modelo são a entrega ágil x variedade de produtos. Com custos altos, dificuldades operacionais, entre elas o monopólio daquele que é o único operador que cobre 100% do território nacional (Correios) são gerados gargalos importantes. O problema que começa a se desenhar é a falta de infra-estrutura logística (lembre-se do caos nos aeroportos, das estradas brasileiras, do trânsito, etc).

Infelizmente o musculoso crescimento da web não é acompanhado pelo reforço da estrutura necessária para fazer o produto chegar às mãos do cliente. Portanto, ao analisar a entrada no segmento online, que aparentemente possui baixo custo, lembre-se de alguns pontos:

1)Volume ainda baixo se comparado ao varejo físico (a penetração de internet é ainda pequena em relação à população total);

2)Custo de manuseio/embalagem/entrega elevado;

3)Capacidade logística limitada do país com dimensões continentais; e

4)Decisão entre variedade x disponibilidade imediata de produtos (armazenagem local)

Portanto, antes de se desviar do seu negócio físico para lançar um canal de venda online, pense nos prós e contras e não se iluda com os “%” de crescimento propagados à quatro ventos.

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