Open Source Marketing

Open Source Marketing é: “Proporcionar aos clientes a possibilidade do uso real ou virtual de determinado produto, serviço ou idéia, seja provisoriamente ou por tempo indeterminado, envolvendo uma oferta que será creditada como publicidade ou recebimento de crédito direto ou indireto, proveniente do uso conjunto.”

Em 2000, quando coloquei o tópico DIVX como assunto principal em uma sala de pós-graduação em Curitiba, muitos pensaram que aquele era apenas um delírio demais um profissional de Marketing. (Lá vinha o Peruzzo com suas maluquices. O tempo passou, e minhas abordagens de fato não mudaram tanto assim desde outubro de 2000, quando trouxe essa revolução à luz do Marketing, tirando-a do submundo dos tecnólogos e apaixonados por tecnologia. Hoje, o DIVX (divx.com), um codec capaz de compactar vídeos como o MP3 faz com as músicas, permite que empresas de renome possam rodar em seus players de DVD tal formato, sejam os vídeos antigos ou novos. Sua última versão é capaz até de compactar vídeos de altíssima resolução.

Como profissional e docente de Marketing, percebo que os alunos estão cansadosdas mesmas definições de 4 Ps e 4 Cs (na verdade, para mim há pequenas diferenças, pois quem pensa como consumidor sabe que os 4 Ps determinam o melhor produto ao cliente, o preço que justifica a troca, a melhor forma de entrega e a comunicação eficiente para o processo). Mais lingüiça para encher os livros?, pensam. As definições são importantes, mas os estudantes querem o novo. Ou o nem tão novo assim ? afinal de contas, meus alunos têm acesso às informações que vêm a seguir desde outubro de 2006. Então, vamos a mais uma novidade, que , pode escrever, vai estourar em pouco tempo no mercado: o Open Source Marketing. Se eu fosse você, não deixaria de ler este artigo.

Tudo realmente começou com as primeiras distribuições do Linux, quando Linus Torvalds, o criador desse sistema operacional, desenvolveu seu produto com o objetivo de atender a suas necessidades pessoais, não comerciais. Entãoproporcionou um estilo de construção coletiva, no qual obteve ajuda de centenas de colaboradores sob sua coordenação. Hoje, milhares de pessoas desenvolvem o ambiente Linux, transformando-o em um sistema operacional melhor. Enfim, Open(aberto) Source (código) Marketing é isso. Mesmo sem ambições comerciais, o uso gratuito do Linux criou milhares de empregos no mundo inteiro e, com a Apple,uma força perante o monopólio da Microsoft, com seu sistema operacional Windows. O próprio Linus Torvalds se tornou uma figura conhecidíssima e, com certeza, usufrui de um ótimo rendimento atualmente , graças a sua estratégia, implementada quase sem querer.

Enfim, minha definição de Open Source Marketing é: “Proporcionar aos clientes a possibilidade do uso real ou virtual de determinado produto, serviço ou idéia, seja provisoriamente ou por tempo indeterminado, envolvendo uma oferta que será creditada como publicidade ou recebimento de crédito direto ou indireto, proveniente do uso conjunto.” A grande jogada do Open SourceMarketing não é o lucro imediato, mas sim a movimentação determinada pelaestratégia aplicada a esse conceito, que pode se reverter em share of mind(lembrança da marca) e conseqüentemente market share (participação de mercado).

Outro grande exemplo de sucesso (com desenvolvimento não tão inocente) é o FireFox da Mozilla, navegador de internet usado gratuitamente por milhões de pessoas, seja na plataforma Windows, Apple ou Linux. Na Europa, sua utilização é maior que a do próprio Internet Explorer. Pergunta: Quanto vale aquela marca?Quais são os seus ativos? A permissão de uso livre faz com que esse gigante cresça em um mercado altamente competitivo. Desde o seu lançamento oficial em 2004, mais de 21 milhões de downloads foram efetuados.

Quando Shaw Fanning criou o Napster, não imaginava o tamanho da revolução que causaria, a qual proporcionou uma explosão no compartilhamento de informações e arquivos. Que não se enganem os defensores dos direitos autorais de músicas e filmes: toneladas de bits também foram trocadas em arquivos no formato PDF, DOC,PPT, entre outros aplicativos comerciais, fazendo com que projetos confidenciais virassem domínio público. Os culpados são as pessoas que ao usar um sistema como o Napster (peer to peer) compartilharam involuntariamente todos os diretórios de seu computador. O Napster explodiu em audiência, foi processado, perdoado e, finalmente, mostrou o potencial do Open Source Marketing. Hoje, Napster e seu criador faturam milhares de dólares vendendo músicas pela internet, legalmente. E o mais importante foi feito: a marca é global agora.

A Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/br/) criou uma forma mágica de Open Source Marketing, por meio da qual é possível oferecer ao mundo suas criações, inclusive para uso comercial. Meu amigo, se você é competente e criativo, só não é famoso porque não quer. A Wikipedia é uma enciclopédia de fonte aberta que contém 1,3 milhão de artigos em oito línguas diferentes, escritos e mantidos por pessoas de todo o mundo. Ohmynews é um jornal coreano de fonte aberta, escrito por mais de 40 mil cidadãos. Como se vê, quando pensamos em instrumentos para praticar o Open Source Marketing, opções não faltam. Uma série de ferramentas digitais está à disposição de modo barato (Bittorrent, RSS, Podcasting, LiveJournal, Technorati, Feedster, Flickr, You Tube) para a criação de comunidades abertas mais acessíveis e sofisticadas.

O próprio You Tube é filhote de uma ação de Open Source Marketing. Sua grande estratégia é “Use e abuse”. Aliás, quanto mais, melhor. A fonte dos vídeos:os próprios usuários (Open Source Marketing!). A visualização, obviamente, feita pelos mesmos usuários. Como se ganha dinheiro? No início, usando anúncios patrocinados do Google e quando cada usuário clicava em determinada propaganda, alguns centavos de dólar eram creditados aos criadores do You Tube. Na verdade,o Google viu que esse parceiro estava ganhando um bom dinheiro (muitos dólares por mês) e resolveu comprá-lo. Assim, teria em sua base de serviços de milhões de novos usuários e uma plataforma de vídeo pronta. Nada que US$ 1,65 bilhões em ações não resolvessem. E olha que ações do Google estão surpreendendo o mercado positivamente! Será que existe negócio mais lucrativo que esse? É o Orkut, um ambiente com milhões de usuários dizendo explicitamente do que e de quem gostam. Que banco de dados maravilhoso!

Entretanto, não posso falar mal da Microsoft. Ela mesma, por meio do XBOX 360,seu video game de última geração , com o qual, quando posso, me divirto muito ,oferece pelo serviço Xbox Live a possibilidade de baixar jogos, demos, filmes,clipes, etc. e experimentá-los. Gostou? Então compre! Locação de filme: o XBOX já permite. Basta ter créditos chamados Microsoft Points para aproveitar essa revolução (eles podem ser adquiridos em megastores).
Existem alguns novos princípios baseados no Open Source Marketing que precisam ser entendidos o mais rapidamente possível. São eles:

– Fonte participativa: Os consumidores não querem mais receber informações de forma passiva. Querem participar, contribuir, fazer parte.
– Altruísmo: Admita que seus clientes são mais inteligentes que você e mostre-se esperto, captando deles, gratuitamente, com uma ferramenta colaborativa, novas idéias, produtos, serviços, etc.
– Mente aberta: O mundo em que vivemos é de quebra de paradigmas a todo segundo. Assuma essa postura e se prepare para ganhar dinheiro com a revolução do amanhã.

Já sei o que passa pela sua cabeça: “Tudo isso tem a ver com tecnologia.” Sim, graças a Deus! Todavia,o Open Source Marketing é praticado há muito tempo. Lembra quando deixavam aqueles livros na sua escola, para levar para casa, mostrar para os pais,experimentar, devolver no dia seguinte ou, caso houvesse interesse, comprar? Quanta enciclopédia foi vendida dessa forma! Ah! E o cartão de crédito que você recebeu sem pedir? Tipo: “Use primeiro e depois assuma ocompromisso.” Já sei: isso se chama Marketing de Experimentação. Bom,podemos chamar do que quisermos, mas o importante é entender o conceito.

Nota: Artigo publicado em Relacionamento Digital

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